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Dependência Química:

Álcool

                Esse transtorno tão antigo, devastador e de um certo modo cultivado como um produto de consumo, vem agora se apresentando de modo devastador com o aumento do uso do crack. Porém, outras drogas lícitas já provocam sérios danos ao homem há séculos.

                O álcool como exemplo de uma droga lícita, pode causar danos imediatos mesmo em usuários de primeira vez, como os acidentes automobilísticos e os danos agudos ao pâncreas e aquelas consequências clínicas decorrentes do uso crônico. Chama a atenção, os inúmeros casos de conflitos familiares, por vezes muito sérios, que qualquer indivíduo pode observar na vizinhança, no trabalho, na família etc. Convém lembrar, que a maioria dos dependentes não se considera como tal e acumulam prejuízos em vários  aspectos da vida.

                Em relação ao consumo do álcool, existem critérios diagnósticos frágeis e subjetivos para definirmos quem são os "abusadores", os "bebedores nocivos", os "bebedores sociais", os "bebedores eventuais" e os dependentes propriamente ditos. Em meio a esses critérios médicos e leigos, tem-se a difícil tarefa de identificar o "dependente". Talvez  a melhor maneira de se definir e tratar, seja uma conscientização do próprio usuário sobre os prejuízos consequentes do uso nocivo. Outra questão muito comum, são usuários que mesmo com um consumo muito alto de cerveja, não se consideram como alcoolistas, pois não bebem bebidas destiladas ou quentes (cachaça, por exemplo), como se a cerveja não fosse álcool e não pudesse gerar algum nível de dependência.

                Como o álcool é uma droga lícita, ele pode ser divulgado como um produto qualquer e, portanto, gerar um ótimo comércio. Chama a atenção as propagandas do álcool sempre vinculadas com o sucesso, com alegria, com a beleza, sexo, juventude e outras virtudes. Algumas delas demonstram jovens tímidos que após beber podem conquistar mulheres lindas, amigos, fama, dinheiro, enfim, ser "o cara". Para atingir até mesmo a população idosa, após beber, o velhinho rejuvenesce, dança, corre, se torna viril e também conquistam as beldades mais desejadas. Todo esse apelo vem se dirigindo também às mulheres, que com o aumento do uso pela classe feminina, a propaganda se articula para atingir o segmento.

                Outro vínculo forte são os patrocínios e incentivos da indústria do álcool ao esporte em geral, pois naturalmente relacionamos a prática esportiva a saúde, juventude, a busca da vitória e o "sucesso". Está havendo uma forte pressão para a venda de cerveja durante a copa do mundo no Brasil, contrariando critérios da FIFA, mas esse movimento tem um objetivo maior do que apenas vender, mas sim, de associar o futebol (o esporte mais popular do mundo) ao consumo de álcool. Lembre-se que esse mesmo mecanismo de propaganda era usado pela indústria do tabaco.

                Todo o assunto exposto acima, NÃO é uma posição pessoal nem tampouco da psiquiatria de ir contra o uso de álcool em qualquer uma de suas apresentações, mas de alertar sobre os riscos do consumo exagerado e das "armadilhas" criadas apenas para o aumento dos lucros da indústria e que não levam em consideração nenhuma relação aos danos à saúde. Já viram alguma propaganda de cerveja mostrando um jovem embriagado morrendo e/ou matando em um acidente automobilístico? Ou a imagem de um senhor jogado sob uma marquise abraçado com uma garrafa de cachaça barata? Ou de um ex-marido abandonado por uma mulher constantemente agredida por ele, em seus momentos de embriaguez? É possível praticar qualquer esporte estando embriagado? NÃO, esse tipo propaganda NUNCA será realizado, mas todos nós sabemos que são consequências reais do consumo mal administrado do álcool. Alguém é capaz de dizer que nada disso acontece? O consumo deve passar por uma escolha responsável e pessoal, com o conhecimento total de suas consequências agudas e tardias.

                O tratamento do alcoolismo deve ter uma abordagem multidisciplinar e com visão total do indivíduo como um ser biopsicossocial. Não há um remédio específico para o problema, mas existem agentes farmacológicos que auxiliam no controle da dependência, abstinência e nas remediações dos danos causados pelo uso crônico.

"beber começa como um ato de vontade, caminha para um hábito e finalmente afunda na necessidade"

                                                                               Benjamin Rush, 1791 (psiquiatra americano)

 

 

Tabaco/Nicotina

                 "O tabagismo é considerado uma pandemia, sendo a maior causa de morte evitável no mundo. Mesmo com o avanço no conhecimento dos malefícios do fumo, ainda hoje um terço da população adulta é fumante, com uma maior concentração nos países em desenvolvimento.

                A consequência do consumo dos produtos de tabaco é tão grave que o número de mortes por doenças tabaco-relacionadas é maior do que os óbitos por HIV, malária, tuberculose, alcoolismo, causas maternas, homicídios e suicídios combinados, sendo responsável por um em cada 10 óbitos de adultos. Se as tendências atuais forem mantidas, o número de mortes aumentará de 5,4 milhões para 10 milhões em 2020.

                O tabagismo passivo, que pode ser definido pela inalação da fumaça do tabaco por indivíduos não fumantes em ambientes fechados, também está relacionado com o aumento de morbimortalidade entre pessoas expostas a poluição tabágica (PTA). Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o fumo passivo domiciliar mata no Brasil sete pessoas por dia, aumentando em 30% o risco de câncer de pulmão, 24% o risco de Infarto Agudo do Miocárdio e, em crianças, 50% o risco de doenças respiratórias."

(Texo extraído do livro Dependência Química: prevenção, tratamento e políticas públicas de Alessandra Diehl, Daniel Cruz Cordeiro, Ronaldo Laranjeira e colaboradores. Porto Alegre: Artmed, 2011, página 145).

 

Maconha (cannabis sativa)

                 A maconha é a droga ilícita mais usada no mundo. Atualmente no Brasil, os debates sobre a liberação ou não da droga tem se acirrado, tornando-se mais uma "arma" ou "bandeira" nas mãos da classe política, na luta de recrutar adeptos e, consequentemente, seus votos. Todo esse “movimento de campanha” se torna no mínimo discutível, quando políticos nunca antes envolvidos com a questão, aparecem ou ressurgem quando o assunto ganha relevância na mídia. A discussão não deveria representar interesses políticos, mas sim os impactos sociais e na saúde pública.

                A c. sativa já é utilizada há séculos com fins medicinais, mas atualmente o uso terapêutico da droga tem se mostrado controverso e muito modesto, fazendo com que os efeitos deletérios da droga se sobreponham aos benefícios. O uso da maconha, principalmente em indivíduos predispostos, pode levar a afecções respiratórias, déficits cognitivos, depressão e outros distúrbios psicóticos, além de sintomas de abstinência e transtornos psiquiátricos após a interrupção do uso.

                O uso recreativo da maconha deve ser muito bem avaliado levando em consideração seus riscos e benefícios, tomando cuidado com os apelos comerciais, políticos, "intelectuais" e de personalidades famosas com grande capacidade de formação de opinião. Argumentos como "ervas naturais não causam problemas de saúde" são totalmente enganosas, pois venenos mortais são extraídos de plantas e animais há séculos (a cocaína e crack são extraídas de uma planta chamada de Erythroxylon coca e o ópio extraído da planta papoula dá origem a vários opióides e, inclusive, a heroína).

                Não utilize a maconha porque uma artista admitiu publicamente o uso ou porque um amigo simplesmente falou que é "legal". Leia, informe-se, analise prós e contras, critique, pense e, só então, posicione-se!

 

Cocaína e Crack

                 Essa droga dispensa apresentações e configura uma tragédia social sem precedentes. O impacto social e na saúde pública tem se mostrado em uma escalada devastadora, provocando reações desesperadas e controversas do poder público para o enfrentamento do problema.

                Cocaína e crack são apresentadas juntas, pois a cocaína seria a forma inalada (pó) e o crack a forma fumada (pedra ou cristal). Esta última forma parece ser mais perigosa, visto que o baixo custo associada a enorme e rápida absorção pelo organismo (propriedade garantida pela facilidade de absorção da fumaça), aumenta exponencialmente o consumo em massa e as gravíssimas lesões para a saúde. Basta observar uma "cracolândia" para vermos o estado sub-humano em que os usuários são transformados.

                O mal causado por essas drogas são múltiplos e com grande dificuldade terapêutica em todas as fases do uso (desde o primeiro contato, com gradativa piora na resposta terapêutica, até o estado de total dependência). Até mesmo quando a droga é interrompida, surge outro desafio terapêutico para tratamento de graves e sofridos sintomas: a síndrome de abstinência. Portanto, todas as estratégias preventivas devem ser analisadas no combate à cocaína, pois o fim do caminho sem tratamento pode ser trágico. Não subestime o poder da droga!

 

Dependência de "remédios tarja preta" (Benzodiazepínicos)

                 Os remédios benzodiazepínicos são um dos medicamentos mais prescritos no mundo e são utilizados principalmente como ansiolíticos (ansiedade aguda ou crônica), como hipnóticos (insônia), anticonvulsivantes e como adjuvantes em diversos transtornos clínicos e psiquiátricos. Eles são vendidos prescritos no receituário controlado azul tipo B (o famoso "chequinho azul"), que são facilmente identificáveis na hora da compra. Até mesmo pelos nomes farmacológicos, podemos ver uma semelhança, pois a maioria termina com "pam" ou "lam"(por exemplo o diazepam, bromazepam, cloxazolam etc.). Todos integrantes dessa família de psicofármacos agem de forma muito semelhante, tendo o "tempo de duração no organismo" uma das principais diferenças entre eles e que configura um importante parâmetro de escolha para cada caso.

                Os benzodiazepínicos são fármacos capazes de gerar dependência e, por isso, seu uso deve ser bastante criterioso e SEMPRE COM ORIENTAÇÃO E PRESCRIÇÃO MÉDICA. A grande maioria das pessoas dependentes iniciou o uso com orientação de vizinhos, parentes, balconistas, com doses e intervalos das tomadas errados, com tempo de uso inadequado, com interrupção do uso de maneira não controlada etc... Eles são remédios com início rápido, e quando bem indicados, podem trazer um alívio quase imediato de muitos sintomas.

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