Strict Standards: Only variables should be assigned by reference in /home/psiqwebc/public_html/pw/templates/psiqweb1/functions.php on line 569

DEPRESSÕES

 “... assim me deram meses de ilusão, e noites de desgraça me foram destinadas. Quando me deito, fico pensando: Quanto tempo vai demorar para eu me levantar? A noite se arrasta, e eu fico me virando na cama até o amanhecer...”

“ Meus dias correm mais depressa que a lançadeira do tecelão, e chegam ao fim sem nenhuma esperança. Lembra-te, ó Deus de que minha vida não passa de um sopro; meus olhos jamais tornarão a ver a felicidade.”  Jó, capítulo 7, verssículo 3,4,6 e 7

 

            Essa temível moléstia tem crescido em incidência de modo assustador em todas as partes do mundo e ampliado seu alcance entre as faixas etárias. Observa-se que o número de deprimidos cresceu de 3 a 10 vezes desde  o final da segunda guerra mundial e sua expansão tem representado sérios prejuizos pessoais, sociais e econômicos. Seus sintomas afetam a ordem interpessoal, fisiológica, cognitiva e comportamental.

            Desde a antiguidade, a depressão era conhecida e descrita como Melancolia, que literalmente significa “bile negra”, um dos principais humores, ou fluidos corporais, que os antigos gregos acreditavam ser secretada pelos rins ou pelo baço e que produziria depressão, irritabilidade ou tristeza. Hipócrates estudava a depressão há 2500 anos e acreditava que ela surgia de específicas alterações do sangue e dos humores. Nos primórdios da Igreja Cristã, os monges do deserto descreveram uma condição que denominavam acedia ou akedia, que era um dos sete pecados capitais e tinha como sintoma, uma luta constante contra as tentações, o tédio, o cansaço e a dificuldade de manter a atenção ou o foco, o que leva a axaustão mental e física. Ainda segundo o cristianismo protestante, Lutero descreveu a Anfechtungen, que era um sentimento semelhante ao desepero e desolação da acedia. Antigos psiquiatras como Emil Kraepelin, Karl Kahlbaum, Heinz E. Lehman, Karl Jaspers e contemporâneos como Paulo Dalgalarrondo, descreveram sintomas clínicos e etiologias possíveis para o transtorno.

            A teoria psicanalítica deu  várias importantes contribuições para formulações de conceito e o manejo para o tratamento para o tema e fazendo imprecindíveis difernciações de têrmos como tristeza ,luto, melancolia ( depressão propriamente dita, referida por Freud como”sombra do objeto recaído sobre o EGO”, Freud, 1917), e posição depressiva ( têrmo cunhado por M. Klein,1934).

            São muitos os critérios diagnósticos da depressão e no texto acima falamos de vários sintomas, mas o mais importante é a pessoa que sofre desse transtorno procurar acompanhamento especializado o quanto antes e receber o máximo do apoio familiar. O deprimido sofre de uma doença até agora invisível para os exames convencionais, ( com rarísssimas excessões) mas com muitas estratégias de tratamento. Fuja dos questionários impressos que banalizam o distúrbio ( ou mesmo aqueles que estão nos livros especialiazados) que prometem um “auto- diagnóstico” e procure um profissional competente e de sua confiânça.

 

            Súbita, uma angústia... Ah, que angústia, que náusea do estômago a alma!

           

            Fernando Pessoa

 

            “... Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo.”

            João capítulo 16, versículo 33

  • image
  • image
Previous Next