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Doenças senis (demências)

                 O termo demência se origina do latim de (ausente) e mens mentis (mente), que indica sem mente ou fora da própria mente, terminologia cunhada ao psiquiatra francês Phillipe Pinel no século IIX.

                "A demência é uma síndrome decorrente de uma doença cerebral, usualmente de natureza crônica ou progressiva, na qual há perturbação de múltiplas funções corticais superiores, incluindo memória, pensamento, orientação, compreensão, cálculo, capacidade de aprendizagem, linguagem e julgamento. Não há alteração no nível de consciência."

(extraído dos critérios diagnósticos da CID X- Código Internacional de Doenças)

                É um quadro sindrômico com muitas causas possíveis, mas tendo a doença de Alzheimer como o exemplo mais comum (sendo responsável por 50 a 75% dos casos de demências). Dentre as causas podemos citar: Doenças degenerativas (a própria doença de Alzheimer, demência dos corpos de Levy, doença de Pick, doença de Parkinson etc.); doenças vasculares (AVCs, aneurismas e até mesmo uso crônico de cocaína etc.); traumatismo cranioencefálico (demência pugilística e acidentes com TCE etc.); infecções (HIV, Meningites, encefalites, sífilis neurológica etc.); doenças metabólicas (doenças da tireoide, insuficiência renal e hepática etc.); doenças relacionadas à falta de oxigenação cerebral (doença cardíaca, insuficiência pulmonar, arteriosclerose etc.); deficiências de vitaminas (deficiência de B1, B12 e ácido fólico); diversos tipos de tumores cerebrais; Intoxicações (alcoolismo, metais pesados etc.); medicamentos mal administrados e de uso crônico e etc. Realmente são muitas causas, exigindo uma séria investigação diagnóstica por um profissional gabaritado para empreender o tratamento mais adequado, pois além de uma boa história colhida do paciente, sinais clínicos sutis podem direcionar o diagnóstico.

                A prevalência das demências aumenta particularmente dos 65 aos 75 anos, com taxas que aumentam com o avançar da idade. É mais comum em mulheres e são nelas que ocorrem os tipos mais graves e precoces (existem casos mais graves que evoluem com muita rapidez e em idades precoces). Como o Alzheirmer corresponde a causa mais comum das demências, falaremos um poucos mais sobre ela, sem contar que podem haver sobreposições de doenças demenciais, como por exemplo um paciente que seja um alcoolista crônico e que tenha seu quadro demencial agravado pelo Alzheimer.

                O Alzheimer possui caráter genético múltiplo, que também configuram em quadros clínicos mais ou menos precoces e com variações na gravidade do quadro. De modo geral, a doença se caracteriza por um "envelhecimento cerebral acelerado". Neuropatológicamente, o transtorno se caracteriza pela proliferação das placas senis e dos emaranhados neurofibrilares, também encontrados no envelhecimento cerebral normal, mas com maior intensidade e velocidade de formação. A formação de tais placas e emaranhados provocam sérias consequências deletérias para o tecido, células, conexões e funções cerebrais, dando origem ao quadro sintomático do Alzheimer. As funções cognitivas são as mais afetadas e, dentre elas, a memória é uma das mais precoces, sendo percebida logo no início do quadro. Mesmo assim, é importante distinguir as falhas de memória que são normais do envelhecimento, nos processos cerebrais degenerativos e em outras causas reversíveis, necessitando, portanto, de uma avaliação profissional cuidadosa.

                O tratamento do Alzheimer tem sido objeto constante de estudo, pois os fármacos disponíveis não alcançam um resultado clínico totalmente satisfatório, não impedem a progressão da doença e apresentam elevado custo. A terapêutica alopática indicada age na regulação de neurotransmissores envolvidos no processo da cognição, mas não incidem na morte celular "acelerada" característica do transtorno. Além disso, sintomas comportamentais devem ser tratados individualmente e também deve visar a recuperação das células nervosas em sofrimento com um suporte nutricional antioxidante, na tentativa de frear o processo mórbido. Não podemos esquecer que o envelhecimento não é seletivo para o cérebro, pois o paciente deve ser assistido em sentido global.

                Como na maioria dos agravos à saúde, o melhor "remédio" é a prevenção. Com uma alimentação saudável, atividades físicas regulares, menor uso de álcool, não fumar, controle da pressão arterial e do diabetes, dieta equilibrada etc., podemos nos aproximar da melhor qualidade de vida possível e prevenir não só as doenças do sistema nervoso, mas tantas outras moléstias que ainda assolam a humanidade.

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